O Clubhouse é a nova rede social do momento. Adere-se by invite only. Funciona exclusivamente com áudio e ao vivo. E (ainda) está disponível unicamente para iphones.

Clubhouse | Como funciona?

É uma espécie de clube, como o nome o indica, privado ou pelo menos seletivo, onde apenas circulam membros convidados por outros membros. Encontram-se em salas para conversar sobre tudo ou nada (por vezes literalmente), partilhar histórias e trocar ideias. Não há chats. Uma curta bio substitui os habituais perfis. Podem seguir e ser seguidos. Aderir espontaneamente a salas ou programar ouvir uma conversa. Criar um chat room (privado ou público) e assumir o papel de moderador ou simplesmente ser espetador.

« É a nova rede social do momento, By invitaion only.»

Quais os seus encantos? | E desencantos?

A sua singularidade! O formato: áudio, ao vivo, espontâneo como uma verdadeira conversa de café entre amigos aos quais se juntam os habitués. Aqui o que não se vive, perde-se, pois nada é gravado. A própria conversa flui de forma natural, por vezes transvasando os limites do próprio tema: tudo é natural, cru (por vezes demasiado), quase genuíno. Quase, pois é claramente também um espaço de promoção pessoal e profissional, por vezes orquestrada com grande mestria pelos próprios moderadores. Como em tudo há que ter discernimento e há que saber filtrar o que por aqui se ouve: nem tudo o que brilha é ouro e, tal como em outras redes, também há desinformação a circular e wannabes em busca de notoriedade.

Mas a atração do áudio, consumível em qualquer momento e local e a ilusão da socialização leva-nos a esquecer o dark side desta rede e a perdoar-lhe os seus pecados: em termos de privacidade, por vezes da brutalidade dos temas e da linguagem, e, como outras redes, o seu poder manipulador. É uma rede aditiva e particularmente fascinante pela ausência de censura e pelo igualitarismo que oferece à elite que são os seus membros. Aqui não há a barreira da idade, da cor, do cargo: deixamos para trás o pais dos “Doutores” para entrar noutra dimensão onde já houve quem se cruzasse com Oprah Winfrey, Marc Zuckerberg ou Elon Musk. Não há que ter papas na língua e todas as opiniões são bem vindas: uma lufada de ar fresco, neste segundo confinamento que se arrasta e nos arrasa.

« A sua singularidade? O formato: áudio, ao vivo, espontâneo como uma verdadeira conversa de café entre amigos aos quais se juntam os habitués.»

A App de que toda a gente fala | And so what?

O Clubhouse escolheu surfar a onda certa, no momento certo, ao escolher um modelo de comunicação subavaliado: o áudio. Uma tendência que já transparecia do crescimento dos podcasts, mas que explode sobre o efeito Clubhouse. Numa altura em que as pessoas anseiam por real time conversation e social gathering, a plataforma dá corpo e voz a estes dois conceitos, com as suas salas de chat em áudio e ao vivo. Este mix de conversas de café, rádio e webinars, veio dar novas cartas no que toca ao social media marketing. E aliás até as marcas (e os partidos políticos) já o perceberam e já marcam aqui presença, de forma mais ou menos óbvia.

O Clubhouse é assim um espaço para networking, para aprender e/ou que pode servir de palco para indivíduos e empresas. Permite interagir com pessoas com os mais variados backgrounds e profissionais dos mais diversos setores, sem barreiras hierárquicas ou outras. E o foco está na partilha de ideias e na qualidade da conversa que alimenta o debate.

    Assim, é uma plataforma perfeita para:

    • Fazer curadoria de conteúdos, sendo que as salas são espaços privilegiados para agregar informação, testar temáticas, etc…
    • Organizar ou promover eventos virtuais (concertos, podcasts, conferências,…) criando comunidades e apetência em torno dos mesmos;
    • Iniciar projetos colaborativos, sendo que em qualquer momento podemos convidar moderadores ou intervenientes para salas privadas e explorar espontaneamente oportunidades de colaboração ou parceria.
    • Dar relevo a marcas na sua vertente de early adopters. Aliás, algumas marcas e profissionais já promovem espaços de conversas que demonstram os seus valores, a sua expertise e os tornam mais apetecíveis para potenciais clientes, parceiros e colaboradores.
    • E last but not least, fazer networking you-could-only-dream-of, uma vez que a plataforma permite a qualquer um partilhar o palco, interagir e receber feedback em tempo real de outros profissionais, empreendedores, CEO de empresas, celebridades, multimilionários e até quem sabe, futuristas como Elon Musk.

    « É a plataforma perfeita para fazer networking you-could-never-dream-of. »

    Last but not least | O paradigma dos Jelly Beans do Harry Potter

    O Clubhouse é claramente o novo terreno de jogos dos marketers e um espaço de faz as delícias de ativadores de marcas no mundo digital, como nós, MarketShow. Mas como qualquer terreno de jogos tem os seus perigos escondidos e os seus rufias. Para os empresários e responsáveis de marketing que estão atualmente assoberbados por um mundo em constante mutação e pela descoberta de um universo digital tão ou mais complexo que o físico, pode ser visto como um shortcut para obter respostas e ajudas. É aditivo, energizante, enriquecedor, mas atenção, como tudo é a consumir com moderação e com muitos filtros.

    É um pouco como os Bertie Bott’s Every Flavour Beans do Harry Potter. Aqui encontramos todos os sabores imagináveis, e não podemos saber qual nos vai sair sem o experimentar. Mas atenção, é como tudo na vida: “there is a risk with every mouthful!” como dizia Ron Weasley...

    « O Clubhouse é aditivo, energizante e enriquecedor, mas atenção como tudo é a consumir com moderação e com muitos filtros. »

    Criado em Abril de 2020, o Clubhouse já era valorizado em $100 Mio, em Maio de 2020, com apenas 1500 utilizadores. Em Silicon Valley, o pensamento era unanime:It’s either dead by July or it’s something big“. Pois bem: “It’s something big! Hoje ronda os quase 6.8 Mio de utilizadores e há várias semanas que é a